Rali de crude intensifica-se face ao prémio de guerra e às esperanças de recuperação chinesa
Os contratos futuros de petróleo bruto avançaram fortemente na abertura, com o WTI de fevereiro a registar ganhos de +1.34 pontos (+2.36%) enquanto a gasolina RBOB de fevereiro acrescentou +0.0203 (+1.19%). O momento do mercado reflete preocupações crescentes sobre perturbações globais na oferta, juntamente com sinais de aumento da procura provenientes das medidas de estímulo económico da China prometidas para o próximo ano.
Riscos geopolíticos sustentam piso de preços
As pressões do lado da oferta continuam a apoiar as avaliações do crude em várias frentes. As operações militares ucranianas já visaram 28 refinarias russas nos últimos quatro meses, restringindo substancialmente a capacidade de exportação de Moscovo. Para além dos ataques às refinarias, a Ucrânia intensificou os ataques às frotas de petroleiros russos, com pelo menos seis navios danificados em operações no Mar Báltico desde o final de novembro. Estas ações, combinadas com novas sanções dos EUA e da UE direcionadas à infraestrutura petrolífera russa e aos ativos de transporte marítimo, reduziram significativamente os fornecimentos de crude russo que chegam aos mercados globais.
Paralelamente, a ação militar dos EUA na Nigéria—um país membro da OPEP—perturbou a estabilidade regional. Os ataques recentes contra organizações terroristas sustentam a resiliência do preço do petróleo, embora este seja um fator secundário face às restrições primárias de oferta.
O bloqueio contínuo da administração Biden aos petroleiros venezuelanos sancionados acrescenta outra camada de restrição de oferta. A Guarda Costeira dos EUA interceptou na semana passada o navio sancionado Bella 1, afastando-o das águas venezuelanas para o Atlântico, removendo efetivamente mais barris da circulação global.
Impulsos de procura devido ao aumento de importações na Ásia
O consumo de energia na China está a emergir como um mecanismo crítico de suporte ao preço. Segundo dados da Kpler, o ritmo de importação de crude da China neste mês deverá aumentar +10% em relação ao mês anterior, atingindo um nível sem precedentes de 12,2 milhões de bpd, sinalizando uma reconstrução agressiva de inventários por parte de Pequim. Esta recuperação da procura reflete o compromisso do governo em manter o impulso económico ao longo de 2025.
Dinâmica de inventários e perspetivas de produção
Os últimos dados de armazenamento de petroleiros da Vortexa revelam que o crude mantido em navios estacionários (parados há mais de 7 dias) aumentou +15% semanalmente, atingindo 129,33 milhões de barris em 26 de dezembro, indicando mudanças na economia de armazenamento e potencial enfraquecimento da procura. No entanto, os inventários de crude nos EUA permanecem limitados relativamente às normas sazonais—estando -4,0% abaixo da média de 5 anos em meados de dezembro. As reservas de gasolina estão -0,4% abaixo da média, enquanto os stocks de destilados ficam -5,7% abaixo.
A produção de crude nos EUA na semana mais recente foi de 13,843 milhões de bpd, uma ligeira diminuição de -0,1% semana sobre semana, mas ainda próxima de níveis recorde. A EIA reviu para cima a sua previsão de produção nos EUA para 2025, passando de 13,53 milhões de bpd para 13,59 milhões de bpd.
OPEP+ mantém disciplina de produção
A OPEP+ reafirmou, a 30 de novembro, o compromisso de pausar aumentos de produção durante o primeiro trimestre de 2026, mantendo a disciplina de produção apesar da dinâmica do mercado. O cartel tinha anunciado que a produção de dezembro aumentaria +137.000 bpd após a decisão de novembro, com cortes a regressar no início de 2026. A produção atual de crude da OPEP situa-se nos 29,09 milhões de bpd, uma redução de -10.000 bpd face ao mês anterior.
No entanto, a previsão da IEA de outubro projeta um excedente global de petróleo recorde de 4,0 milhões de bpd em 2026, pressionando a justificação do cartel para manter os limites de produção. A OPEP+ ainda precisa restabelecer 1,2 milhões de bpd dos 2,2 milhões de bpd de cortes implementados no início de 2024, e as estimativas revistas apontam agora para um excedente de 500.000 bpd no terceiro trimestre, face ao défice de -400.000 bpd previsto anteriormente.
Os dados da Baker Hughes mostraram que as plataformas de petróleo ativas nos EUA aumentaram +3, atingindo 409 na semana que terminou em 26 de dezembro, recuperando de um mínimo de 4,25 anos de 406 plataformas na semana anterior. Notavelmente, o número de plataformas contraiu-se acentuadamente ao longo de 2,5 anos, tendo caído de um pico de 627 plataformas em dezembro de 2022, que durou 5,5 anos.
Market Watch: Dados da EIA atrasados
A EIA anunciou na segunda-feira que o seu relatório semanal de inventários enfrentará novos atrasos, sem especificar um prazo para a sua publicação. Os dados da semana que terminou em 19 de dezembro já foram adiados devido aos feriados, limitando a transparência de curto prazo sobre as tendências de armazenamento.
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O mercado de petróleo amplia ganhos com tensões geopolíticas e sinais de recuperação da procura
Rali de crude intensifica-se face ao prémio de guerra e às esperanças de recuperação chinesa
Os contratos futuros de petróleo bruto avançaram fortemente na abertura, com o WTI de fevereiro a registar ganhos de +1.34 pontos (+2.36%) enquanto a gasolina RBOB de fevereiro acrescentou +0.0203 (+1.19%). O momento do mercado reflete preocupações crescentes sobre perturbações globais na oferta, juntamente com sinais de aumento da procura provenientes das medidas de estímulo económico da China prometidas para o próximo ano.
Riscos geopolíticos sustentam piso de preços
As pressões do lado da oferta continuam a apoiar as avaliações do crude em várias frentes. As operações militares ucranianas já visaram 28 refinarias russas nos últimos quatro meses, restringindo substancialmente a capacidade de exportação de Moscovo. Para além dos ataques às refinarias, a Ucrânia intensificou os ataques às frotas de petroleiros russos, com pelo menos seis navios danificados em operações no Mar Báltico desde o final de novembro. Estas ações, combinadas com novas sanções dos EUA e da UE direcionadas à infraestrutura petrolífera russa e aos ativos de transporte marítimo, reduziram significativamente os fornecimentos de crude russo que chegam aos mercados globais.
Paralelamente, a ação militar dos EUA na Nigéria—um país membro da OPEP—perturbou a estabilidade regional. Os ataques recentes contra organizações terroristas sustentam a resiliência do preço do petróleo, embora este seja um fator secundário face às restrições primárias de oferta.
O bloqueio contínuo da administração Biden aos petroleiros venezuelanos sancionados acrescenta outra camada de restrição de oferta. A Guarda Costeira dos EUA interceptou na semana passada o navio sancionado Bella 1, afastando-o das águas venezuelanas para o Atlântico, removendo efetivamente mais barris da circulação global.
Impulsos de procura devido ao aumento de importações na Ásia
O consumo de energia na China está a emergir como um mecanismo crítico de suporte ao preço. Segundo dados da Kpler, o ritmo de importação de crude da China neste mês deverá aumentar +10% em relação ao mês anterior, atingindo um nível sem precedentes de 12,2 milhões de bpd, sinalizando uma reconstrução agressiva de inventários por parte de Pequim. Esta recuperação da procura reflete o compromisso do governo em manter o impulso económico ao longo de 2025.
Dinâmica de inventários e perspetivas de produção
Os últimos dados de armazenamento de petroleiros da Vortexa revelam que o crude mantido em navios estacionários (parados há mais de 7 dias) aumentou +15% semanalmente, atingindo 129,33 milhões de barris em 26 de dezembro, indicando mudanças na economia de armazenamento e potencial enfraquecimento da procura. No entanto, os inventários de crude nos EUA permanecem limitados relativamente às normas sazonais—estando -4,0% abaixo da média de 5 anos em meados de dezembro. As reservas de gasolina estão -0,4% abaixo da média, enquanto os stocks de destilados ficam -5,7% abaixo.
A produção de crude nos EUA na semana mais recente foi de 13,843 milhões de bpd, uma ligeira diminuição de -0,1% semana sobre semana, mas ainda próxima de níveis recorde. A EIA reviu para cima a sua previsão de produção nos EUA para 2025, passando de 13,53 milhões de bpd para 13,59 milhões de bpd.
OPEP+ mantém disciplina de produção
A OPEP+ reafirmou, a 30 de novembro, o compromisso de pausar aumentos de produção durante o primeiro trimestre de 2026, mantendo a disciplina de produção apesar da dinâmica do mercado. O cartel tinha anunciado que a produção de dezembro aumentaria +137.000 bpd após a decisão de novembro, com cortes a regressar no início de 2026. A produção atual de crude da OPEP situa-se nos 29,09 milhões de bpd, uma redução de -10.000 bpd face ao mês anterior.
No entanto, a previsão da IEA de outubro projeta um excedente global de petróleo recorde de 4,0 milhões de bpd em 2026, pressionando a justificação do cartel para manter os limites de produção. A OPEP+ ainda precisa restabelecer 1,2 milhões de bpd dos 2,2 milhões de bpd de cortes implementados no início de 2024, e as estimativas revistas apontam agora para um excedente de 500.000 bpd no terceiro trimestre, face ao défice de -400.000 bpd previsto anteriormente.
Os dados da Baker Hughes mostraram que as plataformas de petróleo ativas nos EUA aumentaram +3, atingindo 409 na semana que terminou em 26 de dezembro, recuperando de um mínimo de 4,25 anos de 406 plataformas na semana anterior. Notavelmente, o número de plataformas contraiu-se acentuadamente ao longo de 2,5 anos, tendo caído de um pico de 627 plataformas em dezembro de 2022, que durou 5,5 anos.
Market Watch: Dados da EIA atrasados
A EIA anunciou na segunda-feira que o seu relatório semanal de inventários enfrentará novos atrasos, sem especificar um prazo para a sua publicação. Os dados da semana que terminou em 19 de dezembro já foram adiados devido aos feriados, limitando a transparência de curto prazo sobre as tendências de armazenamento.