
DAICO é um mecanismo de captação de recursos que une alocação de capital à governança descentralizada. Os fundos ficam inicialmente bloqueados em um smart contract, e os participantes votam coletivamente para definir a taxa de liberação desses recursos. Esse modelo foi desenvolvido para reduzir o risco de má administração ou apropriação indevida dos fundos pelas equipes após o recebimento integral.
O termo “DAICO” resulta da combinação de “DAO” (Decentralized Autonomous Organization)—um sistema de decisões comunitárias executado por código, que automatiza regras e governança—com “ICO” (Initial Coin Offering), método tradicional e inicial de captação no setor cripto. O DAICO reúne as vantagens de ambos: em vez de liberar todo o capital imediatamente para a equipe, os participantes controlam a liberação dos fundos por meio de votação, funcionando como uma “torneira”.
O núcleo do DAICO é um smart contract—um cofre programável baseado em regras, que só libera recursos quando critérios específicos são atendidos. Os participantes usam tokens para votar em parâmetros como ritmo de liberação dos fundos ou acionamento de reembolsos.
Smart contracts estabelecem regras diretamente na blockchain, dispensando intervenção manual. O contrato geralmente prevê dois mecanismos principais: (1) liberar fundos à equipe em ritmo predeterminado; (2) acionar reembolsos caso o projeto pare ou a confiança seja comprometida, devolvendo o saldo aos participantes. A votação ocorre via tokens de governança, com poder proporcional à quantidade de tokens ou por mecanismos mais elaborados.
O contrato permite ajustar o ritmo de liberação conforme marcos são atingidos ou reduzir/interromper o financiamento diante de problemas—incluindo a possibilidade de encerrar o projeto e iniciar reembolsos. Assim, a liberação dos recursos fica diretamente atrelada ao progresso, garantindo influência contínua dos participantes.
A diferença central entre DAICO e ICO está na gestão dos fundos e na responsabilização. No ICO, todo o valor arrecadado é transferido para a equipe de uma só vez; no DAICO, a liberação é gradual, com opções de reembolso em caso de falhas graves.
No ICO, os participantes normalmente perdem seus direitos após a captação, dependendo apenas de informações voluntárias da equipe. Já no DAICO, a equipe precisa atualizar constantemente os participantes sobre o progresso para liberar mais recursos, promovendo transparência e limitando o risco de mau uso dos fundos.
Em termos operacionais, DAICOs exigem código de contrato auditável, procedimentos de votação claros e marcos verificáveis—enquanto ICOs podem exigir apenas um endereço de carteira e informações básicas. Apesar de DAICOs exigirem maior engajamento, proporcionam mais controle e proteção aos participantes.
A relação entre DAICO e DAO está centrada na governança. DAO é um sistema de governança comunitária via smart contract; DAICO incorpora esses mecanismos diretamente nas decisões de alocação de capital.
O DAO oferece ferramentas para votação e execução automática de regras; o DAICO utiliza essas ferramentas para definir regras específicas sobre liberação de fundos e reembolsos. Exemplos: quem pode votar, qual quórum é necessário para ajustar a taxa de financiamento e em que situações os reembolsos podem ser acionados. Todas as regras ficam codificadas no contrato, reduzindo a intervenção humana.
Participar de um DAICO exige compreender as regras do contrato, confirmar seus direitos de voto e conhecer as condições de liberação dos recursos. O processo geral envolve:
Em algumas plataformas, busque indicações de que o projeto é um DAICO ou adota restrições de liberação de recursos por marcos. Por exemplo, projetos que pretendem lançar na Gate ou participar do Startup costumam divulgar suas estruturas de gestão e governança. Sempre confirme se o endereço do smart contract e as regras coincidem com as informações oficiais antes de participar, evitando contratos fraudulentos.
O “tap” em um DAICO é o parâmetro que controla o ritmo de liberação dos fundos—funciona como uma torneira. Ele define quanto a equipe pode acessar de recursos por unidade de tempo a partir do smart contract.
Normalmente, as taxas de tap são estabelecidas como “quantidade por segundo” ou “por bloco”. Os participantes podem votar para ajustar esse parâmetro: se o projeto avança bem, a taxa pode ser aumentada para acelerar o financiamento; caso contrário, pode ser reduzida ou até interrompida em situações críticas.
Por exemplo, um contrato pode definir um tap inicial de X unidades por segundo. A equipe retira recursos desse saldo regularmente. Ao atingir marcos importantes (como lançar uma testnet auditada de forma independente), os participantes podem votar para aumentar o tap. Se auditorias detectarem vulnerabilidades graves, a votação pode reduzir ou congelar o financiamento até a solução dos problemas.
Apesar da inovação, DAICOs apresentam riscos técnicos e de governança. O principal risco está nas vulnerabilidades dos smart contracts—erros ou explorações podem levar ao bloqueio ou roubo dos recursos.
Riscos de governança incluem baixa participação nas votações (o que pode centralizar decisões), domínio de grandes detentores, disputas sobre marcos pouco claros e votações excessivas que retardam a execução do projeto.
No aspecto regulatório, diferentes países tratam de forma distinta a legalidade da captação via tokens. Participantes devem conhecer a legislação local e exigências de KYC/AML para evitar riscos de conformidade. Em segurança, todas as operações on-chain estão sujeitas a tentativas de phishing ou contratos falsos—sempre confira fontes e endereços oficiais.
DAICOs são mais adequados para projetos de longo prazo, com marcos claros e foco em transparência—como protocolos de infraestrutura, ferramentas para desenvolvedores, componentes centrais de blockchains públicas ou redes de Layer 2.
Em projetos de curto prazo ou entregas pontuais, o overhead de governança pode superar os benefícios. Para iniciativas comunitárias, onde os membros assumem responsabilidades de governança, o DAICO traz vantagens significativas.
Vitalik Buterin apresentou o conceito de DAICO em 2018, com experimentos iniciais como The Abyss. Nos últimos anos, modelos como IEO e Launchpad ganharam preferência, tornando os DAICOs pouco frequentes no mercado.
Em 2024, DAICOs seguem raros entre grandes campanhas de captação, devido à complexidade de governança, maior exigência de participação, incertezas legais e preferência por processos padronizados. Ainda assim, práticas como liberação de recursos por marcos e contratos transparentes continuam sendo referência em alguns projetos.
DAICOs bloqueiam recursos em smart contracts auditáveis e permitem aos participantes controlar a “torneira” via votação. Isso possibilita a liberação gradual dos fundos conforme o progresso do projeto e permite reembolso, se necessário. Apesar de aumentar transparência e responsabilidade, traz complexidade contratual e de governança. Para projetos de longo prazo, com marcos definidos e comunidades ativas, DAICOs agregam valor; participantes devem analisar as regras e divulgações, entender seu poder de voto e riscos, e tomar decisões informadas.
O principal avanço é a integração da governança ao estilo DAO—dando aos investidores direitos contínuos de participação e supervisão. Enquanto no ICO tradicional os participantes ficam passivos após investir, no DAICO eles podem votar sobre o uso dos recursos. Isso reduz o risco de mau uso, trazendo transparência e equilíbrio ao processo de captação.
Para participar de um DAICO, é preciso ativos digitais e um endereço de carteira. A participação geralmente envolve transferir tokens em um período determinado—os detalhes costumam estar disponíveis em plataformas como a Gate. Cada DAICO pode ter requisitos ou restrições regionais diferentes; consulte sempre o whitepaper do projeto para detalhes.
O mecanismo de tap é fundamental porque limita quanto as equipes podem acessar de recursos por mês. Funcionando como uma “torneira”, impede o saque total imediato—permitindo aos investidores acompanhar o progresso. Se o desempenho for insatisfatório, os investidores podem votar para reduzir ou fechar o tap, protegendo os fundos.
Os principais riscos são: falha do projeto, governança ineficaz por baixa participação ou concentração de poder, e volatilidade do mercado. O tap oferece proteção, mas não elimina o risco de fracasso total. Poder de voto concentrado ou baixa participação comunitária podem prejudicar a governança; avalie os fundamentos do projeto e o engajamento da comunidade antes de investir.
DAICOs são ideais para projetos de longo prazo que priorizam governança comunitária—como plataformas de infraestrutura ou iniciativas guiadas pela comunidade. Projetos de curto prazo ou centralizados podem não se beneficiar desse modelo. Quem adota DAICO deve estar preparado para supervisão dos investidores e manter altos padrões de transparência e governança.


