O que é short selling? Riscos e oportunidades de negociação bidirecional que os investidores devem conhecer

Primeiro compreenda o risco, depois aprenda a fazer short

Muitos investidores iniciantes ao ouvirem a palavra “short” ficam animados, como se tivessem descoberto um novo continente de lucros. Mas, na realidade, a questão do que é fazer short deve começar pelo seu risco.

No mercado circula uma frase: “Longo tem risco limitado, short tem risco ilimitado”. E não é alarmismo. Quando você compra uma ação, o pior cenário é ela cair a zero, e sua perda será o valor investido. Mas fazer short é diferente — teoricamente, uma ação pode subir indefinidamente, e sua perda também será ilimitada. Por exemplo: você faz short de 100 ações a 10元, gastando 1000元. Se o preço subir para 100元, sua perda será de 9000元. E se continuar subindo? Então, a perda será ainda maior.

Por isso, as corretoras implementam mecanismos de liquidação forçada: quando sua margem de garantia não cobre as perdas, a posição será fechada automaticamente, podendo ocorrer a realização de prejuízos na pior faixa de preço.

O que significa fazer short? Simplificando, é “vender primeiro, comprar depois”

Já que o risco é tão grande, por que ainda há quem faça short? Porque a essência do short está em oferecer um mecanismo de lucro em mercados em queda.

Fazer short (também chamado de “vender a descoberto”) tem uma lógica simples:

  • Você prevê que um ativo vai cair no futuro
  • Empresta esse ativo de uma corretora e vende ao preço atual
  • Quando o preço cair, compra a um valor menor
  • Devolve o ativo à corretora, lucrando com a diferença

Isso é exatamente o oposto de fazer long: “comprar primeiro, vender depois”. Mas por trás dessa lógica aparentemente simples, há riscos complexos e diversas formas de operação.

Quatro principais formas de fazer short comparadas

1. Short com empréstimo de ações — método tradicional de negociação de ações

A forma mais direta de fazer short em ações é através do empréstimo de ações. Após abrir uma conta de margem, você pode pegar ações emprestadas da corretora para fazer short.

Tomando como exemplo a renomada corretora internacional TD Ameritrade, o limite para short é ter pelo menos 2000 dólares em dinheiro ou valores equivalentes na conta, mantendo sempre uma proporção de patrimônio líquido de 30%. Os juros variam de acordo com o valor emprestado:

Valor do short Taxa de juros
abaixo de $10.000 9,50%
$10.000 - $24.999,99 9,25%
$25.000 - $49.999,99 9,00%
$50.000 - $99.999,99 8,00%
$100.000 - $249.999,99 7,75%
$250.000 - $499.999,99 7,50%

Vantagem: método direto, regulamentado. Desvantagem: exige alto valor de entrada, custos elevados, processo complexo, mais indicado para investidores com grande capital.

2. Contratos por Diferença (CFD) — ferramenta derivada flexível

Para traders que querem entrar rapidamente e com capital limitado, os CFDs são uma boa opção. São instrumentos financeiros derivados cujo preço acompanha de perto o ativo subjacente (ações, índices, commodities, moedas etc.).

Vantagens do CFD para short:

  • Baixo valor de entrada (há plataformas com mínimo de 50 dólares)
  • Operação flexível, permite entrada e saída a qualquer momento
  • Suporte a múltiplos ativos em uma única conta
  • Sem necessidade de entrega física ou operações de transferência complexas

Desvantagem: envolve alavancagem, aumentando o risco.

3. Futuros — complexo, mas eficiente

Contratos futuros são acordos de comprar ou vender um ativo a um preço predeterminado em uma data futura. Produtos agrícolas (algodão, soja), energia (petróleo, gás natural), ativos financeiros (ações, títulos) podem ser negociados via futuros.

A lógica de fazer short com futuros é semelhante à dos CFDs, mas o limite de entrada é maior, a margem de garantia mais exigente, e há datas de vencimento, o que reduz a flexibilidade. Além disso, podem envolver entrega física ou operações de rolagem, tornando-se mais complexos. Investidores individuais não devem tentar fazer short com futuros sem treinamento especializado. Essas ferramentas são mais indicadas para instituições ou investidores altamente qualificados.

4. ETF inverso — solução prática para fazer short

Se as três opções acima parecerem complicadas, pode-se considerar comprar ETFs de inversão. Esses ETFs fazem short em índices de ações, geridos por equipes profissionais.

Exemplos comuns:

  • ETF que faz short do Dow Jones, DXD
  • ETF que faz short do Nasdaq, QID

Vantagens: risco controlado, gestão por especialistas, operação simples. Desvantagens: por usar derivativos para replicar o índice, há custos de rolagem, tornando o investimento mais caro.

Caso prático de short em ações: Tesla

Teoria é importante, mas nada como um exemplo concreto. Vamos ver como fazer short na Tesla.

Em novembro de 2021, o preço da Tesla atingiu um pico histórico de 1243 dólares. Depois, os preços oscilaram, com dificuldades técnicas para ultrapassar o topo anterior. Suponha que um investidor, em 4 de janeiro de 2022, ao perceber que a alta não se sustentava, decide fazer short:

Processo:

  • 4 de janeiro: pega emprestado 1 ação da Tesla na corretora e vende a 1200 dólares, recebendo 1200 dólares na conta
  • 11 de janeiro: o preço cai para cerca de 980 dólares, compra 1 ação a esse valor e devolve à corretora, gastando 980 dólares
  • Lucro: 1200 - 980 = 220 dólares (sem contar juros e taxas)

Assim, realiza-se um short bem-sucedido.

Lógica de fazer short em moedas estrangeiras

O mercado de câmbio é bidirecional, e fazer long ou short é comum. Fazer short de uma moeda significa apostar que ela vai se desvalorizar em relação a outra.

Exemplo prático: operação de GBP/USD

Em uma plataforma, um investidor com garantia de 590 dólares e alavancagem de 200x abre uma posição short de 1 lote de GBP/USD, com preço de entrada 1.18039. Quando a cotação cai 21 pontos para 1.17796:

  • Lucro: 219 dólares
  • Retorno de investimento: 37%

Mostra a alta eficiência do short com alavancagem, mas também o alto risco. As taxas de câmbio são influenciadas por juros, exportações/importações, reservas cambiais, inflação, políticas macroeconômicas, aumentando a probabilidade de erro na análise.

Por que fazer short é benéfico para o mercado

A sociedade ganha com o short porque ele fornece um mecanismo de equilíbrio.

Se só pudermos fazer long (apenas lucrar com alta), o que acontece? O mercado se torna extremamente instável — sobe de forma desenfreada, depois despenca rapidamente. Sem os shorters, as bolhas se formariam e explodiriam cada vez mais.

Três funções principais do short no mercado:

  • ◆ Proteção contra riscos
    Se você tem uma posição pesada em ações, e o mercado fica volátil ou incerto, fazer short de ativos relacionados ajuda a proteger seu patrimônio.

  • ◆ Quebra de bolhas
    Ações de empresas supervalorizadas atraem atenção de fundos de short. Ao fazer short, o preço é pressionado para baixo, tornando a avaliação mais realista, promovendo maior transparência e regulação.

  • ◆ Aumento da liquidez
    A combinação de long e short incentiva a participação, aumenta o volume de negociações e melhora a liquidez do mercado.

Três principais riscos do short

1. Risco de liquidação forçada

Os ativos emprestados ainda pertencem à corretora, que pode exigir o fechamento da posição a qualquer momento. Se for liquidado forçadamente, você pode ser expulso na pior fase, com prejuízo máximo.

2. Erro de julgamento e perdas ilimitadas

O maior perigo do short está aqui: lucro limitado, prejuízo ilimitado. Uma ação pode subir indefinidamente, e sua perda também. Sob o sistema de margem, há sempre risco de liquidação forçada.

3. Risco de manter posições por longos períodos

Muitos pensam que podem fazer short por longo prazo como no long. Mas não é assim. O potencial de lucro do short é naturalmente limitado (uma ação só pode cair até zero), e quanto mais tempo mantiver, mais passivo ficará:

  • Custos de juros acumulados
  • A corretora pode retirar os ativos emprestados a qualquer momento
  • Quando o preço se move contra, as perdas aumentam
  • O risco de liquidação forçada permanece sempre presente

Quatro regras para investir em short

Se vai fazer short, deve seguir regras:

◆ Entrada e saída rápidas no curto prazo
Short não é para manter por longo prazo. Lucrou, fecha imediatamente. Se errar, pare de perder logo.

◆ Controle de posição em nível razoável
Use o short como proteção, não como estratégia principal. Mantenha o tamanho da posição proporcional e evite apostar tudo.

◆ Não aumente posições sem critério
Muitas perdas vêm de teimosia. Quando o mercado não vai na sua direção, aumentar a posição só piora. Confie que o mercado sempre reserva surpresas.

◆ Pare de perder ou realizar lucros a tempo
Defina pontos claros de fechamento, seja para lucro ou prejuízo. Disciplina na execução é mais importante que tentar prever o futuro.

A última palavra sobre fazer short

Fazer short é uma ferramenta de risco e de gestão de risco. Muitos ricos lucraram bastante com short, mas isso só acontece quando eles têm uma visão realista do mercado e uma relação risco-retorno adequada.

Fazer short de forma cega, com posições pesadas ou por longos períodos, é como abrir a porta de uma loja de pólvora — uma explosão é só questão de tempo.

Para dominar o short, primeiro domine o risco. O objetivo final do short não é ganhar dinheiro rápido, mas ter uma opção de sobrevivência em mercados complexos.

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