De geopolítica às vantagens competitivas: uma nova análise da lógica de investimento em ações do setor de defesa

Hoje em dia, o mundo enfrenta conflitos diversos e a velocidade de evolução da tecnologia militar nunca foi tão rápida. Drones, mísseis de precisão, a ascensão da guerra de informação fazem dos gastos militares uma escolha comum para países em todo o mundo. Isso não só está a transformar a forma de guerra, como também criou uma pista de investimento única. Mas nem todas as empresas rotuladas como “indústria de defesa” merecem atenção — o segredo está em como identificá-las.

O que são verdadeiramente ações do setor de defesa

De forma ampla, ações do setor de defesa abrangem qualquer empresa com negócios diretos ou indiretos com o Ministério da Defesa. Desde sistemas de armas de grande porte até materiais militares do dia a dia, as fronteiras são extremamente amplas. Mas os investidores precisam entender que, apenas empresas cuja receita de defesa representa uma proporção suficiente, podem realmente usufruir dos benefícios desta indústria.

Tomando como exemplo a Caterpillar(CAT), embora frequentemente classificada como ação do setor de defesa, na verdade menos de 30% de sua receita vem do setor militar, sendo o principal seu negócio de equipamentos industriais. Semelhantemente, a FedEx(FedEx), que já contratou logística militar, é considerada uma ação de conceito de defesa. O desempenho dessas empresas no mercado de ações, no final, depende do ciclo econômico do mercado civil, e não da demanda militar.

Por outro lado, empresas como Boeing e Raytheon, que atuam tanto no setor civil quanto no militar, apresentam riscos mais complexos. Seus pedidos militares podem crescer de forma estável, mas qualquer movimento no mercado civil pode levar a uma queda significativa nos resultados e no preço das ações.

A diferenciação entre os gigantes americanos do setor de defesa

Lockheed Martin: escolha sólida de longo prazo

A Lockheed Martin(LMT) é a segunda maior fabricante de defesa do mundo, com foco extremamente alto. Desde sua abertura de capital, seu preço das ações tem mostrado uma tendência de crescimento constante, sendo as correções de curto prazo reflexo de ajustes do mercado geral, e não de problemas internos. Do ponto de vista de manutenção de longo prazo, sua vantagem como uma empresa puramente de defesa é evidente.

Northrop Grumman: a mais profunda barreira tecnológica

A Northrop(NOC) ocupa a quarta posição global, sendo a maior fabricante de radares do mundo, com alta especialização. A empresa tem um histórico de dividendos crescentes há 18 anos, e este ano acelerou seu programa de recompra de ações de 5 bilhões de dólares. Sua tecnologia é aplicada em espaço, mísseis e comunicações, alinhando-se fortemente com a estratégia de dissuasão dos EUA. Contanto que a geopolítica global permaneça vigilante, os investimentos em defesa terão dificuldades em parar, e o potencial de crescimento da Northrop é relativamente garantido.

General Dynamics: barreira de proteção profunda, crescimento limitado

A General Dynamics(GD) é uma das cinco maiores fornecedoras de armas dos EUA, com dividendos crescentes há 32 anos, uma honra que só 30 empresas americanas possuem. Sua divisão civil( Gulfstream) atende clientes de alta renda, sem ser afetada por ciclos econômicos, mantendo uma receita estável. Apesar de seu crescimento de receita não apresentar grandes destaques, ela mantém uma alta recompensa aos acionistas por meio de controle de custos e recompra de ações, demonstrando uma barreira de proteção sólida.

Raytheon e Boeing: dificuldades no setor civil prejudicam o desempenho geral

A Raytheon(RTX) apresentou desempenho fraco neste ano, principalmente devido a defeitos em componentes fornecidos para o avião A320neo da Airbus — uso de metal em pó raro em altas pressões pode causar falhas no motor. Isso leva a cerca de 350 aeronaves por ano precisando de inspeções e reparos, com até 300 dias de manutenção. Apesar de pedidos militares estáveis, os riscos de litígios e perda de clientes no setor civil estão consumindo os lucros.

A Boeing(BA) enfrenta situação semelhante. Além dos acidentes de segurança do 737 MAX e do impacto da pandemia, seu mercado civil enfrenta a concorrência do C919, de fabricação chinesa. A entrada de novos competidores rompeu décadas de monopólio da Boeing. Do ponto de vista de investimento, os negócios militares da Boeing(B-52, helicópteros Apache, etc., devem crescer de forma estável, mas o futuro do setor civil é difícil de prever, sendo mais adequado para comprar na baixa do que para comprar na alta.

Oportunidades locais em ações de defesa em Taiwan

A tensão geopolítica no Estreito de Taiwan impulsionou o aumento dos gastos militares na região. Taiwan e China aumentaram seus orçamentos de defesa nos últimos dois anos.

Tian-Ho Technology)8033.TW( passou de fabricante de brinquedos controlados por rádio para fabricante de drones, e em 2022 seu preço das ações disparou, beneficiada pelo crescimento explosivo na demanda por drones militares.

Hanshyn)2634.TW( tem uma estrutura de negócios mais diversificada, com manutenção e venda de peças na divisão civil, e treinamento de pilotos na divisão militar. Em comparação com o risco de depender de uma única marca, a estabilidade na demanda de mercado de manutenção faz com que suas ações tenham desempenho relativamente resistente às quedas, oferecendo uma margem de segurança maior.

Por que ações do setor de defesa valem a pena: a lógica de Buffett em três camadas

O motivo principal para investir em ações de defesa pode ser explicado pela teoria do “neve molhada” de Buffett — é preciso de uma pista longa, uma barreira profunda e uma bola de neve molhada. As ações do setor de defesa atendem a esses três critérios ao mesmo tempo.

Primeiro, a pista é longa o suficiente. Desde o início da civilização, conflitos nunca cessaram. A demanda militar é uma característica eterna, garantindo um ciclo de vida extremamente longo para essa pista.

Segundo, a barreira é extremamente profunda. As tecnologias de defesa geralmente lideram as tecnologias civis, sendo essenciais para a segurança nacional, com barreiras de entrada muito altas. A confiança leva anos para ser construída, os contratos são estreitos, e os concorrentes têm dificuldades em ultrapassar. Muitas empresas compartilham patentes com países ou fornecem de forma exclusiva, reforçando a irreplacabilidade dos líderes atuais.

Terceiro, a bola de neve é molhada. A geopolítica global está se tornando mais regionalizada, com países aumentando seus gastos militares. O risco de desarmamento é atualmente muito baixo, e o potencial de crescimento é relativamente garantido.

Quadro prático para decisões de investimento

O potencial das ações de defesa é inegável, mas o investimento real deve seguir quatro princípios:

Primeiro, valorize a proporção de receita de defesa. A proporção de negócios militares determina se a empresa realmente se beneficiará do crescimento dos gastos militares. Empresas com menos de 50% de receita de defesa geralmente têm seu desempenho civil como principal fator.

Segundo, monitore as mudanças no mercado civil. Mesmo com aumento de pedidos militares, uma retração no setor civil pode anular ou superar os ganhos militares. As histórias da Boeing e Raytheon ilustram bem isso.

Terceiro, avalie o nível de liderança tecnológica. Nesse setor, a barreira tecnológica determina a competitividade de longo prazo da empresa. Nomes como Northrop e Lockheed Martin merecem atenção por sua vantagem tecnológica difícil de ser contestada.

Quarto, considere os riscos geopolíticos. Os gastos militares são, em última análise, impulsionados por decisões políticas, e mudanças nas relações internacionais podem trazer impactos inesperados.

Resumo: seleção cuidadosa, não investimento cego

A demanda do mercado de defesa é estável, mas a questão de “quais ações de defesa” é muito mais complexa do que uma simples lista. As verdadeiras oportunidades de investimento estão naquelas empresas com alta proporção de receita de defesa, negócios civis estáveis ou inexistentes, e uma barreira tecnológica profunda.

Empresas como Northrop Grumman, Lockheed Martin e Hanshyn demonstram diferentes características de investimento, graças às suas vantagens competitivas e posicionamento de mercado. Por outro lado, Boeing, Raytheon e empresas similares, que atuam em múltiplos setores, alertam os investidores para os riscos do mercado civil.

Ações de defesa não são simplesmente “comprar defesa que sobe”, mas um tema de investimento que exige compreensão profunda da estrutura empresarial, dinâmica de mercado e riscos geopolíticos. Considerar a saúde financeira, a estrutura de receita, a posição tecnológica e o ambiente político global é fundamental para tomar decisões inteligentes de longo prazo.

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