A UE mira falhas no setor cripto em novas sanções russas abrangentes

  • A UE alargou as sanções contra a Rússia, visando plataformas de cripto, instituições financeiras e redes de pagamentos transfronteiriços.
  • O pacote introduz novos poderes para travar a evasão das sanções através de prestadores de serviços de cripto de países terceiros.
  • As medidas refletem uma mudança mais ampla no sentido de visar ecossistemas financeiros, em vez de entidades individuais.

A União Europeia adotou o seu 21.º pacote de sanções contra a Rússia, introduzindo algumas das suas mais duras restrições relacionadas com criptomoedas até à data, ao visar plataformas cripto estrangeiras, alargar as sanções bancárias e criar um mecanismo legal para bloquear serviços de cripto de jurisdições acusadas de facilitar a evasão de sanções.
Plataformas de Cripto juntam-se a sanções financeiras alargadas
O pacote mais recente alarga as proibições de transação a 14 plataformas de cripto e a empresas ligadas a cripto que operam fora da Rússia e que a UE diz terem facilitado a circumvenção das sanções. As entidades afetadas têm sede na Geórgia, Panamá, El Salvador, nos Emirados Árabes Unidos, nas Ilhas Marshall e na Bielorrússia.
As medidas acompanham restrições financeiras mais vastas que colocam 33 instituições financeiras russas adicionais sob proibições de transação, elevando o total para mais de 100 bancos russos sancionados. O pacote também visa instituições financeiras selecionadas na Mongólia, no Quirguistão e na Índia que Bruxelas diz apoiarem a infraestrutura de pagamentos russa.
Para indivíduos abrangidos pelas medidas, o pacote também introduz uma salvaguarda prática. Os cidadãos da UE podem levantar fundos detidos em bancos e plataformas de cripto recentemente sancionados, impedindo que essas instituições retenham ativos dos clientes apenas devido às restrições.

Uma Nova Abordagem às Sanções de Cripto
A mudança mais significativa relacionada com cripto não é o número de plataformas sancionadas, mas sim a autoridade legal que a UE criou para a aplicação futura.
No novo quadro, Bruxelas pode:

  • Proibir transações com prestadores de serviços de cripto a operar em países terceiros designados.
  • Aplicar restrições ao nível da jurisdição, em vez de visar bolsas ou carteiras individuais.
  • Pressionar reguladores estrangeiros a reforçar a supervisão das plataformas de cripto usadas para contornar as sanções da UE.

Nenhum país foi designado ao abrigo do mecanismo até agora. Ainda assim, a sua introdução marca uma mudança estrutural na estratégia de sanções da UE, ao criar um caminho legal para restringir mercados inteiros de cripto se as autoridades determinarem que a supervisão local está a permitir de forma consistente a evasão das sanções.

O Foco Alarga-se Além de Carteiras Individuais
O pacote também sinaliza uma evolução mais ampla na forma como os reguladores europeus abordam a aplicação da regulamentação no setor das criptomoedas.
Além das restrições às plataformas, a UE alargou as regras de governação ao proibir cidadãos russos de possuir, controlar ou prestar serviço nos conselhos de prestadores de serviços de ativos de cripto regulados no âmbito do quadro Markets in Crypto-Assets (MiCA).
  Entre as entidades recém-listadas estão operadores ligados à rede de pagamentos A7, incluindo organizações associadas ao ecossistema de stablecoin indexado ao rublo A7A5. As designações também referem as ligações da rede com África, refletindo um foco regulatório crescente na infraestrutura de liquidação transfronteiriça em vez de endereços de carteira isolados.
A mudança ilustra como a aplicação das sanções está cada vez mais orientada para interromper redes de pagamentos, canais de liquidez e serviços intermediários que movimentam capital internacionalmente, em vez de depender apenas de listas negras de endereços de cripto individuais.

Pacote Mais Amplo Vai Além das Cripto
As medidas relativas a cripto fazem parte de um pacote de sanções mais vasto, concebido para aumentar a pressão sobre a economia da Rússia.
Medidas-chave incluem:

  • 41 navios adicionais de “shadow fleet” incluídos na lista de sanções.
  • Proibições de transação que visam portos, aeroportos e infraestrutura energética russos.
  • Novas restrições a operadores de petróleo e a entidades que apoiem o setor militar-industrial da Rússia.
  • Proteções legais adicionais para empresas da UE que cumpram as sanções.
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