Robin Brooks, senior fellow da Brookings Institution e ex-estrategista de câmbio estrangeiro do Goldman Sachs, publicou uma postagem no blog no dia 18 (horário local) refutando alegações de que os preços do petróleo atingiriam US$ 200 por barril em meio às tensões entre EUA e Irã. Brooks argumentou que a desinformação sobre um bloqueio do Estreito de Ormuz e a demanda de petróleo da China continuam distorcendo as interpretações sobre por que os aumentos de preços permaneceram limitados. Ele citou estatísticas oficiais de exportação dos países do Golfo que mostram que as exportações de petróleo do Iraque caíram para perto de zero em abril e que a receita de exportação de petróleo e gás do Catar praticamente desapareceu em março, demonstrando que houve choques de oferta apesar das alegações em contrário.
Brooks refuta alegações de bloqueio do Estreito de Ormuz com dados de exportação do Golfo
Brooks apontou a alegação de que “o Estreito de Ormuz não foi realmente bloqueado” como um grande mal-entendido circulando nos mercados. Ele afirmou que estatísticas oficiais de países produtores de petróleo do Golfo mostram que as operações de petroleiros foram efetivamente interrompidas durante março e abril. Segundo Brooks, “A alegação de que o Estreito de Ormuz não fechou é inconsistente com os fatos. Um choque de oferta realmente ocorreu.”
Estatísticas de exportação do Iraque e do Catar mostram interrupção da oferta
As exportações de petróleo do Iraque diminuíram para níveis quase zero em abril, enquanto a receita de exportação de petróleo e gás do Catar praticamente desapareceu em março, de acordo com dados oficiais recentemente divulgados por produtores da região do Golfo. Esses números contradizem diretamente as afirmações de que o transporte pelo Estreito de Ormuz continuou normalmente durante o período do conflito entre EUA e Irã.
Utilização de reservas estratégicas em vários países absorveu o choque de oferta
Brooks refutou interpretações que atribuíam os aumentos limitados no preço do petróleo apenas à redução das importações de petróleo bruto pela China. Ele explicou que países com reservas estratégicas de petróleo suficientes — incluindo Coreia do Sul e Japão, além da China — reduziram as importações de petróleo bruto no mesmo período ao usar seus estoques. A Índia, que mantém reservas estratégicas menores, sustentou as importações aproveitando isenções dos EUA para petróleo bruto russo, acrescentou Brooks. Ele caracterizou a interpretação de que “a China impediu aumentos no preço do petróleo” como uma distorção relevante dos fatos, afirmando que o resultado decorreu de países com reservas comumente usadas para absorver choques de oferta.
Movimentos do preço do Brent se alinham com estimativas de elasticidade da demanda
Brooks explicou que a formação do pico do petróleo Brent em aproximadamente US$ 125 por barril se alinha, de forma ampla, a estimativas acadêmicas que refletem a elasticidade do preço da demanda por petróleo. O Brent ultrapassou US$ 126 no fim de abril antes de entrar em tendência de queda. Recentemente, os preços voltaram a ganhar força devido ao reaparecimento das tensões entre EUA e Irã, mas seguem abaixo de US$ 90. Brooks afirmou: “Os preços do petróleo não chegaram a US$ 200 não porque o Estreito de Ormuz não foi bloqueado ou porque a China suprimiu preços, mas porque mecanismos normais de ajuste do mercado — redução da demanda após aumentos de preço e utilização de reservas estratégicas — funcionaram como esperado.” Ele acrescentou que as alegações nos mercados subestimam repetidamente os efeitos de bloqueios do Estreito de Ormuz ou sanções ao Irã, enfatizando que “os mercados devem ser interpretados com base em dados reais, e não em especulação.”
FAQ
O que Robin Brooks disse sobre previsões de preços do petróleo no dia 18?
Robin Brooks, senior fellow da Brookings Institution, publicou uma postagem no blog no dia 18 (horário local) afirmando que as alegações de que os preços do petróleo chegariam a US$ 200 por barril estavam incorretas, e que a desinformação sobre um bloqueio do Estreito de Ormuz e a demanda da China continua a distorcer as interpretações do mercado.
Por que os preços do Brent não chegaram a US$ 200 por barril, segundo Brooks?
Brooks explicou que o Brent não chegou a US$ 200 por barril porque mecanismos normais de ajuste do mercado funcionaram — especificamente redução da demanda após aumentos de preço e utilização de reservas estratégicas de petróleo por países incluindo China, Coreia do Sul e Japão — e não porque o Estreito de Ormuz permaneceu aberto ou porque a China suprimiu preços.
Que dados de exportação Brooks citou sobre o Estreito de Ormuz?
Brooks citou estatísticas oficiais mostrando que as exportações de petróleo do Iraque caíram para perto de zero em abril e que a receita de exportação de petróleo e gás do Catar praticamente desapareceu em março, demonstrando que as operações de petroleiros pelo Estreito de Ormuz foram efetivamente interrompidas durante março e abril.