O membro do conselho executivo do BCE, Piero Cipollone, alertou na sexta-feira que a adoção de stablecoins pode drenar depósitos de varejo dos bancos europeus, agravando perdas já registradas com taxas de pagamentos móveis e dados de transações. O aviso veio quando o BCE nomeou 36 provedores de serviços de pagamento para um piloto do euro digital a partir da segunda metade de 2027, dias depois de o Parlamento Europeu ter votado 416 a 169 para iniciar negociações legislativas formais. Dois terços dos pagamentos com cartão na zona do euro atualmente passam por esquemas que não são europeus, e 13 dos 21 países da zona do euro operam sem esquemas nacionais de cartões. Cipollone enquadrou o euro digital como uma resposta estrutural à erosão da infraestrutura de pagamentos, afirmando que os bancos perdem tanto taxas quanto dados quando os clientes usam pagamentos móveis e perderiam depósitos de varejo se o uso de stablecoins aumentasse. O mercado global de stablecoins está em cerca de US$ 300 bilhões, segundo dados da DefiLlama, quase inteiramente denominado em dólares.
Cipollone transmitiu a mensagem em uma conferência bancária em Roma, observando que os pagamentos móveis já superam 1 em cada 10 transações no ponto de venda na Irlanda, nos Países Baixos e na Finlândia. “Quando seus clientes usam pagamentos móveis, os bancos normalmente pagam taxas mais altas do que as associadas a cartões de débito e muitas vezes não recebem nenhuma informação sobre o pagamento, então perdem tanto taxas quanto dados”, afirmou Cipollone. Ele estava se dirigindo a executivos de bancos cooperativos italianos, metade cujas agências atende cidades com menos de 10.000 pessoas, onde a perda de dados de pagamento poderia prejudicar as operações locais de concessão de crédito. Pagamentos tradicionais com cartões de débito estão ficando menos populares à medida que a adoção de pagamentos móveis cresce em toda a zona do euro.
Cipollone alertou que o crescimento das stablecoins representa uma ameaça ainda mais profunda do que os pagamentos móveis. “Se o uso de stablecoins aumentar no futuro, os bancos também vão perder depósitos de varejo”, disse. Stablecoins são tokens cripto emitidos de forma privada, atrelados 1:1 a uma moeda fiduciária, que permitem aos usuários manter e movimentar dinheiro inteiramente fora do sistema bancário. O mercado global de stablecoins está em cerca de US$ 300 bilhões, de acordo com dados da DefiLlama, e é quase inteiramente denominado em dólares. Depósitos funcionam como a matéria-prima que os bancos usam para conceder crédito a empresas e compradores de imóveis. Menos depósitos significa menor capacidade de empréstimos, criando um problema existencial para bancos cooperativos pequenos, com margens mais apertadas e bases de clientes locais.
O BCE nomeou 36 provedores de serviços de pagamento — incluindo Deutsche Bank, UniCredit e Revolut — para um piloto do euro digital de 12 meses com início na segunda metade de 2027. No desenho atual, os bancos mantêm as contas dos clientes, ganham taxas de intercâmbio e retêm dados de transações. O euro digital não pagará juros, removendo o incentivo para estacionar grandes quantias, e limites de retenção vão restringir quanto qualquer pessoa pode manter em uma conta de euro digital. A análise do BCE sobre estabilidade financeira concluiu que o desenho não apresenta risco material para a liquidez dos bancos. A primeira emissão está prevista para 2029.
As negociações sobre o euro digital começaram após a aprovação em 9 de julho, com a primeira sessão realizada quatro dias depois. O Parlamento Europeu votou 416 a 169 para iniciar negociações legislativas formais. Legisladores miram um acordo até o fim de 2026, de acordo com a declaração de Cipollone na conferência em Roma.
Por que o BCE adverte que stablecoins podem drenar depósitos bancários?
Stablecoins permitem que os usuários mantenham e movimentem dinheiro inteiramente fora do sistema bancário, o que significa que recursos que tradicionalmente ficariam em contas de depósito de bancos poderiam migrar para carteiras de stablecoins. Bancos dependem de depósitos como matéria-prima para conceder crédito a empresas e compradores de imóveis; portanto, uma redução nos depósitos diminui diretamente a capacidade de empréstimos.
Como o desenho do euro digital impede a fuga de depósitos de bancos comerciais?
O euro digital do BCE não pagará juros e imporá limites de retenção sobre quanto qualquer pessoa pode manter em uma conta de euro digital. Esses recursos do desenho removem o incentivo de estacionar grandes quantias no euro digital, garantindo que ele funcione como ferramenta de pagamento e não como veículo de poupança. A análise do BCE sobre estabilidade financeira concluiu que esse desenho não apresenta risco material para a liquidez dos bancos.
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