A Voyager Technologies pretende construir estações espaciais para menos de $4 mil milhões — Será que conseguem?

A Estação Espacial Internacional levou 13 anos, 15 nações e aproximadamente $100 bilhões para construir—um investimento astronômico por qualquer medida. Mas e se uma única empresa pudesse entregar uma instalação comparável por apenas uma fração desse custo? É exatamente nisso que a Voyager Technologies aposta, com um plano ambicioso de desenvolver o Starlab, uma plataforma orbital de próxima geração projetada para eventualmente substituir a ISS. A empresa recentemente tornou público o seu prospecto de IPO, revelando detalhes financeiros que pintam um quadro fascinante—seja ele arriscado—desta aventura espacial.

A Oportunidade do Starlab: Mais Barato, Mais Rápido, Mais Simples

A Voyager não está a trabalhar sozinha neste projeto audacioso. A empresa é uma das quatro equipes concorrentes a contratos com a NASA para desenvolver uma substituição privada para a estação espacial envelhecida. O que diferencia a Voyager é a sua proposta radical de custo: construir e lançar o Starlab custaria aproximadamente entre $2,8 bilhões e $3,3 bilhões—cerca de 3% do que a estação espacial original consumiu.

Como é isso possível? A resposta está na simplicidade e na eficiência tecnológica. O Starlab apresenta um “design comprovado de habitat metálico” que pode ser implantado e atingir a capacidade operacional inicial usando um único lançamento no foguete Starship da SpaceX, agendado para 2029. Essa abordagem engenhosa significa que um módulo forneceria aproximadamente 45% do volume pressurizado atualmente oferecido pelo segmento americano da ISS. Dois lançamentos replicariam essencialmente toda a capacidade funcional da parte americana da estação.

A parceria que apoia este empreendimento é igualmente impressionante: Palantir Technologies, Airbus, a japonesa Mitsubishi e a canadense MDA Space atuam como parceiras de capital na joint venture internacional, com a Voyager detendo uma participação controladora de 67%. Northrop Grumman e Hilton fornecem suporte estratégico não acionista.

Siga o Dinheiro: Receita, Custos e a Matemática do IPO

Agora, aqui é que a tese de investimento fica complicada. A Voyager gerou $136,1 milhões em receita durante 2023, crescendo para $144,2 milhões em 2024—um aumento modesto de 6%. O maior cliente da empresa é a NASA, que representou 25,6% da receita do ano passado e concedeu à Voyager $217,5 milhões especificamente para o desenvolvimento da substituição da ISS (com $147,2 milhões já desembolsados entre 2022 e 2023).

Em todos os contratos e Acordos de Ação Espacial com o governo dos EUA, a Voyager garantiu aproximadamente $800 milhões em compromissos totais, sugerindo um potencial de receita substancial à frente. No entanto—e aqui está uma advertência importante—a empresa atualmente opera com um prejuízo enorme. Em 2024, a Voyager registrou uma perda líquida de $65,6 milhões, representando uma deterioração em relação aos anos anteriores. As perdas líquidas por ação atingiram aproximadamente $9,88, um aumento de 88% em relação ao ano anterior.

A empresa tinha apenas $175,5 milhões em caixa na última análise, muito aquém dos $2,8 a $3,3 bilhões necessários para construir o Starlab, o que explica por que o IPO é essencial. A gestão espera perdas contínuas por anos, à medida que os gastos de desenvolvimento aceleram—uma lucratividade significativa provavelmente só se materializará em 2029, quando a estação espacial for lançada e começar a gerar receita operacional.

Questões de Valoração: Vale a Pena Apostar na Voyager?

É aqui que os investidores precisam pensar com cuidado. A valoração do IPO da Voyager está projetada entre $2 bilhões e $3 bilhões. Com uma receita dos últimos 12 meses de $147 milhões, isso implica um índice preço-vendas de aproximadamente 13,6 na média—uma valoração premium para uma empresa que ainda não é lucrativa e que não será por vários anos.

Não há um múltiplo de preço-lucro relevante para calcular, já que a empresa não tem lucros. A tese de investimento basicamente depende de se a Voyager consegue executar sua visão de construir uma plataforma orbital funcional, garantir contratos adicionais com a NASA e, eventualmente, passar a ser lucrativa quando o Starlab estiver operacional.

O cenário otimista é convincente: uma estação espacial de próxima geração operando a uma fração do custo da ISS, abrindo novas fronteiras para pesquisa científica, atividades comerciais e exploração espacial de longo prazo. O risco de queda é igualmente real: atrasos no projeto, estouros de custos, contratempos técnicos ou pressões competitivas podem impactar significativamente os retornos dos investidores—ou pior, ameaçar o próprio empreendimento.

A Conclusão: Especulação, Não Investimento

Este IPO representa uma oportunidade legítima, mas decididamente especulativa. A Voyager possui receita real, parcerias credíveis, contratos governamentais importantes e um roteiro tecnológico visionário. Mas a empresa também opera com perdas substanciais, com prazos de lucratividade incertos e uma valoração que exige execução de um ambicioso programa de desenvolvimento de vários bilhões de dólares.

Antes de considerar participar, os investidores devem ser totalmente transparentes consigo mesmos: isto não é um investimento tradicional em uma empresa lucrativa. É uma aposta especulativa sobre se uma equipe talentosa pode entregar engenharia inovadora dentro do orçamento e do cronograma. A tolerância ao risco torna-se a principal consideração, não os métricas tradicionais de valoração.

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