Na semana passada, fui enviado pela empresa a Paris a trabalho e fiquei surpreso ao descobrir que no auge do verão a França tem poucos aparelhos de ar condicionado, e o sol escaldante não poupa as ruas. Perguntei a um amigo local: por que uma metrópole como Paris tem tão poucos aparelhos de ar condicionado? Ele sorriu levemente: eles não dependem de máquinas para criar frescor, mas aprendem a pedir frescor à natureza: ao meio-dia, baixam as persianas para bloquear o calor do sol; ao entardecer, vão para a margem do Rio Sena pegar a brisa, um copo de vinho branco gelado, uma camisa de linho folgada, descontraída e elegante. Não pude evitar sentir o rosto aquecer: nós sempre nos acostumamos a buscar conforto imediatamente, mas as pessoas aqui preferem coexistir harmoniosamente com o calor. Não é que não temam o calor intenso, mas sabem aceitar a aparência natural da estação, e no frescor limitado, cuidadosamente extrair o romance exclusivo do verão. Acontece que a serenidade nunca é ter temperatura constante o tempo todo, mas saber reconciliar-se gentilmente com a temperatura e coexistir amigavelmente.

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