Executivo da Visa: As stablecoins e o PIX desempenham papéis de pagamento distintos

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Key Takeaways
  • Antônia Souza afirmou que as stablecoins e o PIX do Brasil servem propósitos distintos: o PIX trata de pagamentos domésticos e as stablecoins facilitam transações transfronteiriças.
  • O projeto-piloto de liquidação de stablecoins da Visa atingiu uma taxa anualizada de 7 mil milhões de dólares, com funcionamento através de mais de 140 programas de cartões com stablecoins a nível global.
  • A Visa desenvolveu o Visa Connector para transações com PIX e fez parceria com a Tempo, uma blockchain criada para pagamentos agentic.

Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais da Visa para a América Latina e Caraíbas, afirmou no podcast Latam Desk que as stablecoins não estão a competir com o sistema de pagamentos instantâneos PIX do Brasil. Souza sublinhou que as duas tecnologias servem objetivos distintos: o PIX trata pagamentos domésticos em tempo real, enquanto as stablecoins facilitam transações transfronteiriças. Salientou ainda o desenvolvimento da Visa do Visa Connector para transações via PIX, mostrando que a empresa vê as infraestruturas de pagamentos instantâneos e de stablecoin como sistemas complementares.

Posições da Visa: stablecoins e PIX como sistemas de pagamento complementares

Souza explicou que o PIX foi construído para pagamentos quotidianos em tempo real, enquanto as stablecoins se destinam a fluxos transfronteiriços, como enviar dinheiro para o estrangeiro ou guardar dólares. A Visa tem vindo a desenvolver o Visa Connector, um iniciador de pagamentos que ajuda a iniciar transações PIX, porque a empresa vê o sistema de pagamentos instantâneos e o sistema de stablecoins como complementares, e não como concorrentes.

A exceção, disse Souza, são os países que não dispõem de um sistema massivo de pagamentos instantâneos. Na Colômbia, uma stablecoin indexada ao peso está a ajudar as pessoas a fazer pagamentos instantâneos porque não existe uma solução à escala do PIX do Brasil. Noutros lugares, salientou, a maior parte da atividade com stablecoins decorre em stablecoins denominadas em USD e está focada em transações transfronteiriças, não em despesa diária.

Souza critica aplicar tecnologia de stablecoin a todos os casos de uso

Souza afirmou que está “totalmente contra esse tipo de abordagem”, criticando tentativas do mercado de aplicar stablecoins a tudo. A sua perspetiva, que disse que defende com os próprios clientes da Visa, é concentrar-se nos problemas que só as stablecoins conseguem resolver, argumentando que, apenas com esse foco, se abre um mercado suficientemente grande para trabalhar.

Investidores cripto no Brasil superam participantes da bolsa

Souza sublinhou um dado: o Brasil tem agora mais investidores em criptomoeda do que a sua bolsa B3. A adoção na região, disse, é impulsionada tanto por regulação como pelo uso efetivo, com o Brasil, o México e a Argentina entre os maiores mercados, mesmo face à média global. O panorama continua desigual, acrescentou, com alguns países ainda a impedir instituições financeiras de trabalharem com cripto, enquanto o Brasil avança o seu quadro regulatório.

A Visa liga bancos tradicionais à infraestrutura de stablecoin

Souza disse que tem estado a falar com grandes bancos, do Brasil à Caraíbas, e que há mesmo interesse, mas também dúvidas reais sobre a integração com sistemas legados, a proteção contra fraude e burlas e o controlo da origem dos fundos. Como a Visa se tem envolvido com cripto há mais de dez anos, a estratégia é integrar stablecoins nas suas redes e oferecer aos bancos um caminho que é “já escalável, já é confiável pelo mercado, pelo ecossistema”.

Concordou também com o CPO da Visa, Jack Forestell, ao afirmar que as stablecoins estão a ganhar uma tração significativa, embora ainda não sejam plug-and-play para pagamentos. “É necessária interoperabilidade, segurança, conformidade, capacidades de infraestrutura. E isto ainda não está, de todo, pronto”, disse.

Piloto de liquidação em stablecoin da Visa atinge uma taxa anualizada de 7 mil milhões de dólares

Souza apontou para o piloto de liquidação em stablecoin da Visa, que atingiu uma taxa anualizada de 7 mil milhões de dólares. O modelo permite que emitentes e adquirentes liquidem obrigações internacionais diretamente em stablecoins, sem converter para fiduciário, possibilitando liquidação sete dias por semana e reduzindo exigências de garantia.

Globalmente, a Visa tem mais de 140 programas de cartões com stablecoin em funcionamento, a maioria operados por fintechs, com Lemon Cash citado como exemplo na América Latina e Porto Rico assinalado como um dos maiores hubs da região.

Olhando para a frente, nomeou a convergência de pagamentos instantâneos, carteiras digitais, ativos tokenizados, stablecoins e inteligência artificial como a mudança definidora dos próximos cinco anos, prevendo agentes de IA que pagam em nome de um utilizador com stablecoins, e citou a parceria da Visa com a Tempo, uma blockchain construída para pagamentos baseados em agentes.

FAQ

O que disse Antônia Souza sobre stablecoins e PIX?
Antônia Souza, diretora de Moedas Digitais da Visa para a América Latina e Caraíbas, afirmou no podcast Latam Desk que as stablecoins não estão aqui para combater o PIX. Explicou que o PIX foi construído para pagamentos quotidianos em tempo real, enquanto as stablecoins se destinam a fluxos transfronteiriços, como enviar dinheiro para o estrangeiro ou guardar dólares.

Qual é o tamanho do piloto de liquidação em stablecoin da Visa?
O piloto de liquidação em stablecoin da Visa atingiu uma taxa anualizada de 7 mil milhões de dólares. O modelo permite que emitentes e adquirentes liquidem obrigações internacionais diretamente em stablecoins, sem converter para fiduciário, possibilitando liquidação sete dias por semana e reduzindo exigências de garantia.

Quantos programas de cartões com stablecoin a Visa opera globalmente?
A Visa tem mais de 140 programas de cartões com stablecoin em funcionamento a nível mundial, a maioria operados por fintechs. Lemon Cash foi citado como exemplo na América Latina, e Porto Rico foi assinalado como um dos maiores hubs da região.

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