A Promotoria de Defesa do Consumidor de São Paulo protocolou, na segunda-feira, uma ação judicial contra Tools for Humanity, a empresa que opera o World (antigo Worldcoin), e a Amazon AWS por supostamente praticarem coleta abusiva de dados biométricos. A ação afirma que as empresas miraram deliberadamente populações vulneráveis em São Paulo, oferecendo pagamentos em criptomoeda em troca de dados de escaneamento de íris de um estimado de 400 mil participantes. Os promotores alegam que a World continuou distribuindo recompensas em cripto por meio de transações no aplicativo mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados do Brasil ter determinado a interrupção dos pagamentos em fevereiro de 2025, e que os consumidores não foram informados sobre os riscos do tratamento de dados nem sobre o propósito econômico do projeto. A ação busca US$ 240 milhões em compensação ao consumidor (quase US$ 47 milhões) e exige a suspensão de todos os pagamentos em cripto vinculados à coleta biométrica até que uma avaliação completa seja concluída. O caso representa a ação regulatória mais recente contra o programa de verificação de identidade biométrica da World, que já enfrentou desafios legais semelhantes na Argentina, onde as autoridades impuseram uma multa de US$ 200 mil por violações da proteção ao consumidor.
Promotores de São Paulo Alegam Mira em Populações Vulneráveis para Coleta Biométrica
A ação protocolada na segunda-feira pela Promotoria de Defesa do Consumidor de São Paulo lista Tools for Humanity e Amazon AWS como rés em conexão com as atividades de coleta biométrica da World em São Paulo. Os promotores alegam que as empresas se envolveram em práticas abusivas ao concentrar deliberadamente suas operações em regiões periféricas e de alto fluxo para atrair pessoas que enfrentam questões socioeconômicas. O documento legal estima que mais de 400 mil pessoas participaram do lançamento da World em São Paulo, recebendo compensação em criptomoeda em troca de dados de escaneamento de íris.
A ação pede a preservação de todos os dados e metadados vinculados à coleta biométrica e busca suspender qualquer pagamento ou benefício conectado à coleta de dados até que seja realizada uma avaliação. Os promotores afirmam que os consumidores não foram informados sobre o propósito econômico do projeto nem sobre os riscos relacionados ao processamento e ao armazenamento dos dados usando servidores da AWS. A ação legal busca caracterizar essas atividades como abusivas e obter o pagamento de US$ 240 milhões (quase US$ 47 milhões) em compensação por perdas individuais dos consumidores.
Irregularidades na Coleta de Documentos da Comissão Parlamentar e Violações de Conformidade
Um relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito sobre Íris encontrou várias irregularidades cometidas durante as operações da World em São Paulo. A comissão documentou a concentração deliberada das operações da World em regiões periféricas e de alto fluxo para atrair pessoas que enfrentam questões socioeconômicas, a fim de fornecerem seus dados biométricos por recompensas em cripto.
Os promotores alegam que a World continuou a distribuir recompensas em cripto usando transações internas do aplicativo mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados do Brasil ter determinado sua interrupção em fevereiro de 2025. A ação sustenta que os consumidores não foram informados sobre o propósito econômico do projeto nem sobre os riscos relacionados ao processamento e ao armazenamento dos dados usando servidores da Amazon AWS. O pedido legal busca a suspensão de todos os pagamentos ou benefícios vinculados à coleta de dados biométricos até a conclusão de uma avaliação completa.
World Nega Alegações de Coleta de Dados em Meio a Ação Anterior na Argentina
Em sua página, a World afirma que “não coleta, armazena ou vende qualquer dado pessoal, incluindo dados de íris, e titulares verificados do World ID são anônimos”. A declaração da empresa aborda diretamente as alegações contidas na ação de São Paulo sobre práticas de tratamento de dados.
A World enfrentou ações de execução semelhantes na Argentina, onde as autoridades impuseram uma multa de US$ 200 mil por várias violações da Lei Nacional de Defesa do Consumidor. O caso na Argentina envolveu permitir que menores se inscrevessem na iniciativa devido a verificações de identidade frouxas e falhar em divulgar procedimentos de processamento de dados biométricos. A ação de São Paulo representa a segunda grande ação regulatória contra o programa de coleta biométrica da World na América do Sul.
FAQ
O que os promotores de São Paulo alegaram na ação protocolada na segunda-feira contra World e Amazon AWS?
A Promotoria de Defesa do Consumidor de São Paulo alega que Tools for Humanity (operando World) e Amazon AWS se envolveram em práticas abusivas de coleta de dados biométricos ao mirarem deliberadamente populações vulneráveis em regiões periféricas e de alto fluxo de São Paulo. Os promotores afirmam que as empresas ofereceram pagamentos em criptomoeda a um estimado de 400 mil participantes em troca de dados de escaneamento de íris e que os consumidores não foram informados sobre riscos do tratamento de dados nem sobre o propósito econômico do projeto usando servidores da AWS.
Por que os promotores alegaram que World violou a ordem de proteção de dados do Brasil?
Os promotores alegam que a World continuou a entregar recompensas em cripto usando transações internas do aplicativo mesmo depois de a Autoridade Nacional de Proteção de Dados do Brasil ter determinado a interrupção dos pagamentos em fevereiro de 2025. A ação busca a suspensão de todos os pagamentos ou benefícios ligados à coleta de dados biométricos e exige US$ 240 milhões (quase US$ 47 milhões) em compensação ao consumidor pelas alegadas violações.
Que ação de execução anterior a World enfrentou por práticas semelhantes?
A World enfrentou uma ação de execução na Argentina, onde as autoridades impuseram uma multa de US$ 200 mil por violações da Lei Nacional de Defesa do Consumidor. O caso na Argentina envolveu permitir que menores se inscrevessem devido a verificações frouxas de identidade e falhar em divulgar procedimentos de processamento de dados biométricos. A ação de São Paulo representa a segunda grande ação regulatória contra o programa de coleta biométrica da World na América do Sul.